vitória-régia

“Uma flor é uma flor,
uma rosa é uma rosa”
mas a vitória rosa
é régia.

Uma flor que um dia é branca
feminina flor
refletindo a luz do dia.
Masculina flor noturna
agora é rosa
como o fim da tarde
de uma longa espera.

Regendo o tempo,
o fluxo do rio...
— Determina as cheias
ou a cheia lhe insemina?

Uma flor que me ensina
que o branco
contém o rosa
e todas as cores do dia.
Que a noite
contém o dia.

Uma flor que é menina
e menino brincando n’água.

PAULO ROBSON DE SOUZA
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A flor de Victoria amazonica (esse é o seu nome científico) muda de sexo com o passar dos dias: as estruturas femininas tornam-se férteis antes das masculinas (as pétalas, inicialmente brancas na fase feminina, ficam róseas). A fecundação é feita por uma espécie de besouro que, ao comer as partes florais, leva o pólen das estruturas masculinas para as femininas. Embora aparente ser totalmente flutuante, a vitória-régia é fixa ao substrato – suas gigantes folhas são, na verdade, presas a um longo pecíolo cujo comprimento aumenta à medida que o nível da água sobe (uma adaptação à alternância de ciclos de cheia e seca). Saiba mais consultando Plantas Aquáticas do Pantanal, de Vali Joana Pott e Arnildo Pott (Embrapa, 2000).

1 comentários:

Mai disse...

O rosa da rosa que é régia. E ainda guarda um ar de mistério. beijo

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