sob os olhares do não

sim


você pode:
arrancar pela raiz
plantas inoportunas (as mal-
ditas ervas daninhas)
que noturnamente
invadem seu canteiro
de lírios pretensiosos.

sim
você pode:
decapitar formigas tanajuras
(em exercício diário nas trincheiras)
que recortam as folhas
amiúde
da muda miúda
do jatobá gigante
que cresce na calçada.

sim
você pode:
podar barbaramente
o arbusto arborescente
moldando a sebe –
invocando mãos de tesouras
impiedosas
que sacramentam a forma viva
em benefício da arquitetura.

você também pode
sim:
derrubar árvores evitando folhas secas.
cimentar gramados esconderijos de aranhas.
chutar caramujos estrangeiros (que
vicejam com as chuvas).
exterminar as flores mais doces
pelo medo de abelhas.

você pode tudo porque
(sim:)
longe do espelho – a divina semelhança –
ignora o óbvio.
livre do óbvio
não transcende o umbigo.
insensível ao indizível
tornou-se insensato
e perdeu os ouvidos
ao clamor das maçãs.

1 comentários:

Mai disse...

Na insanidade, o ilimite. Teu poema é um brado, Sidnei.
Insisto no - não, porque não há mais tempo para erros.

beijos,

saudades de ti

Postar um comentário