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rente ao gramado
podado
(no final da tarde)

enquanto formigas
cortadeiras
se preparam para o inverno

decido-me ser só
uma cigarra
muda.

xô, urubu!















abominável abutre:
ave de rapina
ave carniceira
ave de mau agouro
do velho e novo mundo:
superstição universal!

de grande envergadura
de cabeça pelada
de andar desengonçado
e visão quilométrica:
é um lixeiro-alado
de vôo circundante
buscando “novas” carniças
em novos horizontes.

sempre em bandos
crocitando
aterrissa (aterrorizando a vista)
em matadouros, cortumes
e ao redor das latas de lixo
nos arredores das cidades.

brasileiro: é urubu
na gíria: trapaceiro
de cabeça colorida: é rei
de cabeça vermelha: campeiro
de cabeça amarela: jereba
profissão: lixeiro, naturalmente
mas sorrateiro: é “de morte”:
pousa, às vezes, inesperadamente
no jardim de nossa sorte!

draculiforme


bat as asas e alça vôo
na noturna metade do dia:
sonares ligados:

frugí-vora
insetí-vora
nectarí-vora
caç-a-
dor

e vampiriza à sombra da lua:
rato-velho acastelado
sangue-suga
estigma do mal
mi(s)tificador, morcega a tradição:

alho
água-benta
crucifixo
estaca e martelo

(só pra prevenir!)

trama alimentar


a semente germina
magicamente
resgata do chão
a vida decomposta
e se posta altiva
auto produtiva
numa verde plantação
mas suas espigas arranca
com incisivos cortantes
um roedor incauto
saciando o desejo
da fome constante
sem perceber
que à dois metros distante
um ofídio espreita
a cumprir seu ofício
de carnívoro voraz
mas rastejando de volta
farto e satisfeito
não observa do alto
em asas montado
rapinante predador
que retornando ao ninho
com a presa nas garras
devolverá à terra
em seu devido tempo
o elemento preciso
à um outro vegetal.

dia do biólogo


um projeto nas mãos
e os pés na estrada
sobrepondo as pedras do caminho
ultrapassando fronteiras
recriando esperanças
guardando nos limites a tolerância

botas, sacolas, puçás
caderno, cantil, gravador
seca e chuva, frio e calor
termômetro medindo a ansiedade

a noite na mata
a pressa pela procura da presa:
o “predador” ecológico
preservando a caça
a raça de quem acredita na razão
a perfeição darwinianamente traçada

a casa em relações (des)harmônicas
num interrelacionamento trófico
vibra, pulsa, interage

bichos, ritos, nichos
flores, cores, odores
sons que surgem
sons que emudecem
a vida que brota e fenece
ciclicamente no meio do ambiente:
ecos de pura logia!

mirmex
















formica fornica formiga
trabalha trabalha trabalha
carrega o fardo do dia
estoca o peso do fardo
zela o custo do peso
protege a vida: vigia
dia e noite dia-a-dia

não canta não planta não casa
cava a terra a casa cava:
galerias/formigueiro:
anárquica aparência
sociedade socialista
monarquia absoluta

branca preta miúda
vermelha grande saúva
sobre o chão
sobre a pedra
sobre a árvore:
sobrevive sobreguarda interage

formicário formigueiro
formiga o mundo inteiro
terror de picnic’s
ladrão de açucareiro